quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Clarice, uma biografia meio esquisita

A biografia Clarice poderia ser tão boa! Mas o autor várias vezes cita um trecho escrito por ela e, poucas páginas adiante, repete tudo de novo outra vez...uma chatice. Em alguns momentos ele se põe a divagar sobre o que ela sentiria ou acharia: perda de tempo e energia. Em outros, faz ilações descabidas, como exemplo: o nome perdido dela. O que nós judeus chamamos de ´nome iídiche´, que seria aquele de batismo. O meu é Mirel, o dela era Chaya, tenho tios Salomea e Marek que mudaram para Sarita e Mário ao chegarem aqui no Brasil and so what? isso não muda nada, a questão do desgarrramento e do semitismo suplanta dez milhões de vezes essa discussão aí. Parece que o autor resolveu escrever mais de 500 páginas e o esforço dele foi este, o de preencher as tantas páginas. Para uma autora que falava de dez sentimentos com duas palavras, merecia uma bio que não precisasse de cem palavras para um quarto de sentimento.

E de repente ela tem câncer e daí ela morre. Subitamente, sem uma conversa sobre o assunto, sem um desabafo com uma amiga. Ruy Castro faria melhor: faltou sabor, ginga, brasilidade profundidade. Acaba que ela parece uma louca ciclotímica e não uma mulher com angústias profundas e belezas na mesma medida.

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