segunda-feira, 12 de julho de 2010

Mércia, Eliza, fulana e sicranas: Santa Teresa é aqui

O romance 2666 do chileno Roberto Bolanõs vem sendo citado por diversos apaixonados por literatura (me incluindo nesta) como o melhor da década. Ao longo das primeiras três - das cinco - partes, aparecem diversas referências sobre assassinatos de mulheres na fronteiriça cidade mexicana de Santa Teresa. Na quarta parte, sobre os assassinatos em si, um fato: as mortes não são fruto da ação de um serial killer, ou ao menos não apenas isso.

Matam-se mulheres como se eliminam moscas.

Nada mais natural do que matar insetos chatos que estão incomodando. Eu, que não tenho nada contra as formiguinhas, não hesito em afogar algumas se estiverem contaminando potes de alimentos na minha cozinha. Mulheres são da mesma ordem de prestígio de bolsas falsificadas, camisas de futebol, pacotes de 5 meias pelo preço de 4 e capinhas de celular vagabundas. Basta passar em frente de uma barraquinha de camelô, ou de uma banca de revistas onde estão exibidos centenas de objetos, pernas abertas e caras lascivas.


A falta de controle gera frustração; e quem se frustra com insignificâncias não resiste a massacrá-las. Simples assim. Mércia, Eliza, e outras: o que têm em comum é que não foram boazinhas e passivas. Frustraram. E como não têm a menor importância, podem ser facilmente esmagadas.

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